Noticia: Fábrica do Inglês no Algarve em risco de fechar

>> segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O empreendimento de animação turística Fábrica do Inglês, em Silves, corre o risco de fechar as portas, encontrando-se em situação de "falência técnica". Nasceu há cerca de uma dezena de anos com o objectivo de vir a ser uma referência turística na região, recebeu 500 mil euros a fundo perdido, mas não vingou. A dívida da empresa atinge os 6,5 milhões de euros, "sem possibilidade de honrar os compromissos". A única saída que os empresários encontram, neste momento, é propor à câmara que fique com o imóvel. O presidente do conselho de administração do empreendimento, José António Silva, é irmão da presidente da autarquia, Isabel Soares (PSD). Na última reunião do executivo - que se reuniu de forma extraordinária para debater este assunto - Silva reconheceu que a situação é "preocupante". "Todas as tentativas para salvar a empresa falharam."
O mesmo responsável admitiu que o empreendimento de lazer, cultura e entretenimento só cumpriu os objectivos durante os dois primeiros anos, "tendo colocado Silves na agenda do entretenimento do Algarve". Agora, caso não seja a autarquia a dar uma ajuda, afirmou, terá de "fechar nos próximos dias".
Uma das situações que contribuíram para o falhanço do projecto, justifica José António Silva, tem a ver com a concorrência das autarquias vizinhas, nomeadamente Monchique e Albufeira, que promovem "gratuitamente" eventos culturais e de animação. "Encontra-se, pois, esgotado o modelo económico da Fábrica", conclui aquele responsável.
Os vereadores do Partido Socialista colocam reticências à viabilização de um projecto privado com dinheiro público. "Reconhecemos a importância [do empreendimento] a nível pessoal, mas estão em causa dinheiros públicos e há que ter muito cuidado nas soluções a tomar", dizem.
Ajuda pública sem consenso
Sobre a eventual aquisição do imóvel por parte do município o socialista Fernando Serpa lembrou que a câmara contraiu, há pouco tempo, um empréstimo de 15 milhões de euros para pagar a fornecedores, razão pela qual, no seu entender, não estará em condições para assumir mais um dívida para salvar um projecto privado. "Não me parece possível adquirir este espaço", argumentou.
O vice-presidente da câmara Rogério Pinto, que presidiu à reuniu, afirmou: "Nós, políticos, temos a responsabilidade, embora não tenhamos sido nós a criar o problema. Devemos tentar esgotar todas as soluções possíveis."
Na próxima reunião de câmara, quarta-feira, o assunto regressa à agenda. Os custos mínimos, para manter a porta aberta, rondam os 11 mil euros por mês. "Ou negociamos com a banca a entrega do património, ou pedimos a insolvência atendendo à actual situação económica, pois estamos perante uma insolvência técnica", afirmou José António Silva, referindo que no dia 18 de Novembro foi pedido uma moratória aos bancos, que não obteve resposta.
A vereadora da CDU, Rosa Palma, defende a necessidade de manter o espaço aberto, lembrando a importância afectiva e o interesse cultural do Museu da Cortiça, uma infra-estrutura que faz parte da Fábrica do Inglês.

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